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O problema que o olho de gato atacou foi o da estrada à noite. Nos anos 1930, o número de carros crescia na Inglaterra muito mais rápido que a iluminação das rodovias, e fora das cidades o motorista dependia só do farol.
Com chuva ou neblina, o farol mal alcançava a faixa pintada. O motorista perdia a borda da pista, a curva e o lado certo da estrada, como o próprio Shaw quase perdeu naquela descida de Queensbury.
Nos primeiros anos, a peça vendeu pouco. Prefeituras e conselhos de estrada desconfiavam de um pino de borracha inventado por um asfaltador sem diploma.
O APAGÃO DA GUERRA
A Segunda Guerra Mundial mudou a procura. A partir de 1939, o governo britânico impôs o blecaute (apagão obrigatório à noite, para não guiar os bombardeiros alemães): poste desligado, janela coberta e farol de carro mascarado, com só uma fresta de luz.
Dirigir à noite virou um risco sério, e a tacha que brilhava com pouca luz passou a fazer falta. O olho de gato devolvia ao motorista até o fio de luz que escapava da máscara do farol, e as encomendas cresceram.
Depois da guerra veio a adoção em escala. Em 1947, o Ministério dos Transportes britânico, que tinha James Callaghan como secretário parlamentar (o político que chegaria a primeiro-ministro em 1976), ordenou a instalação das peças nas estradas do país.
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Sem poste, sem fio e sem conta de luz, o olho de gato guiou a Inglaterra no escuro da guerra e virou padrão das estradas britânicas.
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A fábrica de Halifax passou a produzir sem parar, e Shaw ficou rico. Continuou morando na mesma casa de Boothtown, bairro de Halifax onde tinha crescido, e ganhou fama de excêntrico: mantinha a casa sem tapete e sem cortina e deixava várias televisões ligadas ao mesmo tempo.
Em 1965, recebeu da rainha Elizabeth II a Ordem do Império Britânico, honraria dada a quem presta serviço notável ao país. Percy Shaw viveu em Halifax até o fim da vida e faleceu ali em 1976, aos 86 anos.
A peça sobreviveu ao inventor e chegou a outros países, inclusive ao Brasil, onde tachas refletivas marcam faixas e acostamentos de rodovia, muitas delas já de plástico, sem a cúpula de borracha original.
A cúpula preta, pouco maior que a palma da mão, segue cravada no asfalto de Yorkshire. A cada pneu que passa por cima, as quatro lentes de vidro saem um pouco mais limpas, do jeito que Shaw desenhou em 1934.
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