|
A máquina foi projeto, e a ideia nasceu de uma irritação. Num sábado de 1965, John Shepherd-Barron chegou à agência minutos depois do fechamento e voltou para casa sem dinheiro para o fim de semana.
Ele contou que a solução apareceu na banheira, naquela noite. Se uma máquina de vender chocolate entregava uma barra em troca de uma moeda, outra poderia entregar notas em troca de um papel que provasse quem era o dono da conta.
“Pensei que devia haver um jeito de pegar meu próprio dinheiro em qualquer lugar do mundo ou do Reino Unido. Tive a ideia de uma máquina de chocolate, trocando o chocolate por dinheiro.” (John Shepherd-Barron, entrevista à BBC, 2007)
DO BAR AO CONTRATO
O caminho até a agência foi curto. Shepherd-Barron levou a proposta a Harold Darvill, gerente-geral do Barclays, numa conversa regada a gim rosa (gim com gotas de bitter, um drinque britânico da época).
Darvill aprovou em menos de dois minutos de explicação, segundo o relato do próprio inventor. O banco encomendou seis máquinas à De La Rue, e Enfield recebeu a primeira.
O desenho da senha passou por uma segunda conversa, essa em casa. Shepherd-Barron propôs seis algarismos, e Caroline respondeu que se lembrava de quatro com folga e de seis com dificuldade.
“Por causa dela, quatro algarismos viraram o padrão do mundo.” (John Shepherd-Barron, entrevista à BBC, 2007)
O tamanho da senha bancária saiu da memória de uma pessoa, testada numa cozinha, e nunca mais foi revisto pelos bancos.
A senha tinha outro pai no papel. O engenheiro escocês James Goodfellow registrou em 1966 a patente de um sistema que ligava um cartão a um número pessoal, a ideia que deu origem à sigla PIN (número de identificação pessoal, em inglês).
A patente de Goodfellow descrevia um cartão com código gravado e um teclado para o cliente confirmar o número. O sistema dele não chegou a Enfield: a máquina da De La Rue seguiu com o vale de papel e a senha conferida contra o número impresso nele.
Shepherd-Barron preferiu não patentear a máquina de Enfield. Contou que os advogados do Barclays o avisaram que um pedido de patente exporia o mecanismo de segurança a quem quisesse copiá-lo.
A corrida tinha concorrentes. Nove dias depois de Enfield, a Suécia ligou em Uppsala o Bankomat, máquina da empresa Metior, e em setembro de 1967 o Westminster Bank instalou em Londres um modelo da Chubb que usava cartão perfurado.
|