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O problema atacado por Fahrenheit era a comparação. Um número de temperatura só serve quando outro instrumento, em outro lugar, mostra o mesmo número diante do mesmo calor.
Os termômetros dele cumpriam a promessa. Os médicos da Universidade de Leiden, liderados por Herman Boerhaave, compraram aparelhos da oficina de Fahrenheit e passaram a registrar a febre com eles.
Boerhaave publicou em 1732 o Elementa Chemiae (Elementos de Química), com páginas inteiras dedicadas aos instrumentos do amigo. O livro circulou por faculdades da Europa e levou junto a escala.
A ESCALA DEPOIS DO INVENTOR
A Royal Society adotou a escala de Fahrenheit, e o Império Britânico a espalhou pelas colônias. Os ingleses mantiveram o 32 do gelo e recalibraram o topo para 212, a fervura da água ao nível do mar.
Com a mudança, o corpo humano saudável passou a marcar perto de 98,6, e não mais 96. A diferença existe porque a fervura virou a referência de cima, no lugar do corpo.
Em 1742, o astrônomo sueco Anders Celsius propôs a escala de cem graus entre gelo e fervura. A França e a maior parte da Europa ficaram com ela; o mundo de língua inglesa ficou com Fahrenheit por mais dois séculos.
O Reino Unido trocou a escala oficial pela Celsius a partir dos anos 1960. Os Estados Unidos seguem com Fahrenheit na previsão do tempo, no forno e na febre das crianças.
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Três séculos depois, americanos medem a febre com a escala de um artesão de Danzig calibrada num frio de sal amoníaco.
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A escala também ganhou um uso fora da medicina. Fabricantes de cerveja, destiladores e jardineiros de estufa da Inglaterra compravam termômetros graduados de 0 a 212 para acompanhar mostos, alambiques e canteiros, e o hábito de pensar a temperatura em números entrou na rotina das oficinas.
Fahrenheit não viveu para ver a escala virar padrão de um império. Mudou-se de Amsterdã para Haia, trabalhou em projetos de bombas d’água e faleceu ali em 16 de setembro de 1736, aos 50 anos, solteiro e sem fortuna.
O tubo de vidro do comprimento de uma mão sobreviveu ao dono. Termômetros assinados por ele estão hoje no Rijksmuseum Boerhaave, o museu de ciência de Leiden, com o fio de mercúrio parado entre o 32 e o 96 gravados à mão.
Fica a pergunta · até amanhã Em qual igreja de Haia o corpo de Daniel Fahrenheit foi sepultado em 1736? |
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