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O problema: todo fecho anterior cobrava destreza fina. Botão, colchete, fivela e zíper pedem pinça de dedos, mira e alinhamento, e falham na mão que treme, na mão pequena e na mão dentro de luva.
A troca: duas tiras de náilon, uma de ganchos e outra de laços, que prendem por contato em qualquer posição. Nada de encaixar, nada de acertar a casa do botão, nada de amarrar laço.
O que mudou: fechar virou um gesto de apertar uma superfície contra a outra, feito com a palma, com o cotovelo ou com a mão desajeitada, e abrir virou um puxão.
A lista de quem ganhou é longa e bem específica. A criança que calça sozinha anos antes de aprender o laço. A pessoa com artrite, que perde a pinça dos dedos e mantém a força da palma. A pessoa com uma mão só, que fecha a própria órtese sem pedir ajuda.
A medicina adotou a fita em massa. Manguito de pressão, tala, colete cervical e cinta de maca prendem e soltam centenas de vezes por dia num hospital, com ajuste de tamanho na hora.
Na roupa, a entrada foi pelo calçado. A Puma pôs velcro num tênis em 1968, e o tênis infantil de tira virou padrão de prateleira.
A fralda descartável fez a mesma troca. A fita adesiva original perdia a cola em contato com creme e não abria duas vezes. A tira de gancho e laço abre, confere e fecha.
O uso mais lembrado é o pior contado. A NASA não inventou o velcro, comprou o velcro. Nas missões Apollo, tiras prendiam saco de comida, prancheta, caneta e câmera nas paredes, porque em gravidade zero um objeto solto some de vista.
O material também cobrou uma conta alta. No incêndio do teste da Apollo 1, em 1967, a cabine estava pressurizada com oxigênio puro e a fita espalhada pelas paredes alimentou as chamas. A investigação limitou a quantidade a bordo.
A fita virou o exemplo de abertura de um campo inteiro de engenharia, o de copiar solução já testada pela biologia em vez de começar do zero.
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"A biomimética é uma ciência nova que estuda os modelos da natureza e depois imita ou se inspira nesses desenhos e processos para resolver problemas humanos."
Janine Benyus, em Biomimicry: Innovation Inspired by Nature, 1997
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A patente expirou em 1978 e a concorrência entrou no mesmo ano. Hoje qualquer fábrica produz fita de gancho e laço, e o nome da empresa suíça virou o nome genérico do produto, contra a vontade dela.
A companhia briga até hoje. Em 2017 ela lançou uma campanha pedindo ao público que dissesse fita de gancho e laço.
O fecho que saiu do carrapicho é do tipo que some de tão comum. Custa centavos por metro, não tem peça móvel, não enferruja e resolveu um problema que zíper nenhum resolveu: fechar sem precisar de mira.
"Quantas vezes você já fechou alguma coisa hoje sem olhar, com um gesto que uma planta de beira de estrada inventou primeiro?"
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