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Até o fim do século XIX, o creme dental era vendido em pote de porcelana ou de vidro. A família inteira enfiava a escova no mesmo pote, ou raspava a massa com o dedo.
O pó dental, ainda mais comum, vinha em lata ou em envelope de papel. Molhado, empelotava; seco, voava pela pia.
Washington Wentworth Sheffield era dentista em New London, Connecticut. Nos anos 1870, preparou no consultório um creme dental de receita própria, vendido aos pacientes como Dr. Sheffield's Creme Dentifrice.
A família conta que o filho dele, Lucius Tracy Sheffield, estudava em Paris e viu os pintores de lá espremendo cor de tubos de estanho. Voltou com a ideia de usar o mesmo recipiente para o creme do pai.
O dentista gostou da proposta e mandou fabricar os tubos. A empresa da família, em New London, passou a comprar estanho e a encher os tubos por conta própria, num galpão ao lado do consultório.
DO ATELIÊ AO BANHEIRO
Em 1892, os Sheffield passaram a vender o creme dental num tubo dobrável de estanho. O desenho era o mesmo de Rand: corpo mole, fundo dobrado, bico estreito e tampa.
O tubo resolvia no banheiro os mesmos três defeitos que tinha resolvido no ateliê:
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1. O creme não secava, porque o ar não entrava.
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2. Ninguém mergulhava a escova no pote da família, e a massa ficava limpa.
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3. A dose saía do tamanho da escova, sem desperdício.
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O pote expunha o creme a cada escova; o tubo só soltava a dose do dia.
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A Colgate, de Nova York, adotou o tubo em 1896, e o produto ganhou o país. Na Primeira Guerra Mundial, o exército americano incluiu o creme em tubo no kit do soldado, e o hábito voltou para casa com ele.
O pó dental foi perdendo espaço nas prateleiras. Nas décadas seguintes, o creme em tubo virou o formato padrão nas farmácias dos Estados Unidos e da Europa, e o pote de porcelana sumiu das pias.
O material mudou ao longo do século. O estanho deu lugar ao chumbo, ao alumínio e, a partir dos anos 1980, ao plástico laminado, que volta ao formato depois do aperto.
A empresa de Sheffield continua em New London, com o nome Sheffield Pharmaceuticals, e fabrica creme dental em tubo até hoje.
O tubo de estanho de 10 centímetros, com fundo dobrado e tampa de rosca, foi patenteado por John Goffe Rand em 11 de setembro de 1841 para guardar tinta a óleo. Cinquenta e um anos depois, em New London, recebeu a primeira dose de creme dental.
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