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Uma bolinha cinzenta de pouco mais de um centímetro, sem açúcar e sem sabor, enrolada em papel colorido. Custava um centavo no balcão de uma farmácia de Hoboken, em Nova Jersey, e provava que uma carga de seiva encalhada ainda podia render dinheiro.
A seiva era o chicle (o látex endurecido do sapotizeiro, árvore das florestas do sul do México e da América Central). Os maias e os astecas já mascavam essa goma séculos antes da chegada dos espanhóis.
A carga tinha um dono improvável. Antonio López de Santa Anna, general que governou o México várias vezes e perdeu o Texas em 1836, vivia exilado em Staten Island, ilha de Nova York, em 1869.
Santa Anna queria dinheiro para armar um exército e voltar ao poder. A aposta dele era vender o chicle aos americanos como substituto barato da borracha, matéria-prima cara das rodas de carruagem.
O sócio da aposta foi Thomas Adams, fotógrafo e inventor amador de Nova York, que conheceu o general em Staten Island e aceitou testar a seiva na própria oficina.
A carga chegou a Nova York em blocos duros, do tamanho de um tijolo, embalados em sacos de juta. Pelo relato mais repetido da história, somava perto de uma tonelada de chicle.
Adams trabalhou meses com o material. Misturou chicle com borracha, aqueceu, tentou vulcanizar (endurecer com enxofre e calor, como se fazia com a borracha) e não obteve nada firme o bastante para segurar uma roda.
Sobrou um depósito cheio de goma sem uso e um investimento perdido. Segundo a história contada pela família, Adams chegou a pensar em despejar a carga no East River, o rio que separa Manhattan do Brooklyn.
A saída apareceu numa cena de farmácia: uma menina pedindo goma de parafina para mascar, a um centavo o pedaço.
Para entender como um fracasso industrial virou a bolinha vendida em Hoboken, a história começa pela panela de água quente onde Adams jogou os primeiros pedaços de chicle.
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