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John O'Sullivan nasceu em 1951, em Sydney, e se formou em engenharia elétrica pela Universidade de Sydney. Entrou cedo na CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation, a agência federal de pesquisa científica da Austrália), na divisão de radiofísica.
A divisão tinha tradição em antenas. Construía radiotelescópios e sabia lidar com sinais fracos, distantes e misturados ao ruído de fundo do universo.
No começo dos anos 1990, a CSIRO procurava aplicações comerciais para esse saber. Os computadores começavam a se ligar em rede dentro dos escritórios, sempre por cabo, e ninguém tinha resolvido a versão sem fio em alta velocidade.
O'Sullivan montou o grupo com quatro colegas: Terence Percival, Graham Daniels, Diet Ostry e John Deane. A meta era transmitir dados por rádio dentro de um prédio, tão rápido quanto um cabo.
O obstáculo tinha um apelido entre os engenheiros: multipercurso (o sinal que chega ao receptor por vários caminhos ao mesmo tempo). Dentro de uma sala, a onda de rádio bate no teto, no chão, nas mesas e nas paredes.
Cada reflexo percorre uma distância diferente e chega com um pequeno atraso. O receptor ouve a mesma mensagem várias vezes, sobreposta, como uma voz gritada dentro de uma catedral.
Em baixa velocidade, o eco atrapalha pouco. Em alta velocidade, os pedaços da mensagem se encavalam e o receptor não distingue um dado do seguinte.
Os fabricantes da época tentavam vencer o eco com antenas melhores ou com potência maior. Nenhuma das saídas resolvia a raiz: enquanto cada dado fosse curto e rápido, o reflexo atrasado sempre cairia em cima do dado seguinte.
COMO A PATENTE DESFAZIA O ECO
A solução do grupo combinava três passos, e cada um atacava um lado do problema:
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1. Dividir os dados em muitas partes e mandar cada uma numa frequência própria, lenta o bastante para o eco não embaralhar.
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2. Usar a FFT para montar e desmontar essas frequências em velocidade, num chip barato.
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3. Espalhar a informação com códigos de correção de erro, para recompor no receptor o pedaço que o eco destruísse.
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A patente de 1992 trocou uma corrida rápida num canal só por muitas caminhadas lentas em canais paralelos, e o eco perdeu força contra cada uma delas.
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A técnica de dividir o sinal em várias frequências já existia na teoria, com a sigla OFDM (multiplexação por divisão de frequências ortogonais). O mérito do grupo foi o arranjo prático que fazia a ideia funcionar dentro de um prédio cheio de reflexos.
A CSIRO pediu a patente na Austrália em 1992. Nos Estados Unidos, o registro saiu em janeiro de 1996, sob o número 5.487.069, com o título “Wireless LAN” (rede local sem fio).
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