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Daisuke Inoue nasceu em 1940 e cresceu na região de Osaka. Aprendeu bateria na adolescência, de ouvido, e nunca chegou a ler partitura.
Nos anos 1960, tocava em clubes noturnos de Kobe. O trabalho dele ia além do ritmo: acompanhava os clientes que subiam ao palco para cantar, quase sempre homens de negócios sem treino vocal.
Inoue ajustava o andamento e o tom da banda à voz de cada cantor amador. Quem desafinava ou corria na letra ganhava um acompanhamento que corria junto, e o cliente descia do palco achando que tinha cantado bem.
Um desses clientes, dono de empresa, pediu que Inoue fosse junto numa viagem a uma estação de águas termais, onde haveria festa com música. O baterista não podia viajar.
A saída foi gravar. Inoue registrou numa fita as bases das músicas preferidas do cliente, no tom e no andamento que conhecia da voz dele, e entregou a fita para a viagem.
O cliente voltou contente. Tinha cantado a noite inteira sem banda, com o acompanhamento do músico de sempre saindo de um toca-fitas.
Ele contou aos amigos, e outros frequentadores do clube passaram a pedir fitas parecidas, cada uma gravada no tom de quem ia cantar.
O baterista percebeu ali um aparelho para vender. Se a fita servia a um cliente numa viagem, uma caixa com fita, microfone e moedeiro serviria a qualquer bar sem músico contratado.
COMO NASCEU A 8 JUKE
Inoue juntou, com ajuda de um conhecido que entendia de eletrônica, quatro peças que já existiam no mercado:
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1. Um toca-fitas de cartucho de oito pistas, do tipo instalado no painel dos carros.
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2. Um amplificador pequeno, com entrada para microfone e controle de volume.
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3. Um moedeiro, que liberava a música quando recebia 100 ienes.
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4. Cartuchos com as bases instrumentais, gravadas pelo próprio Inoue.
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Nenhuma peça da 8 Juke era nova: a invenção estava em juntar fita, microfone e moedeiro numa caixa só, pronta para o balcão.
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O cartucho de oito pistas foi a escolha prática da época. Rodava em laço contínuo, sem precisar rebobinar, e aguentava o uso pesado de um bar aberto até de madrugada.
Inoue não vendeu as onze máquinas. Alugou todas aos bares de Kobe e cuidava da troca dos cartuchos, levando músicas novas conforme os sucessos mudavam no rádio.
Os bares de Kobe atendiam homens que saíam do trabalho direto para a mesa, e cantar era parte do encontro. Até a 8 Juke, quem queria microfone dependia do músico da casa, e nem todo bar podia pagar um.
O modelo de aluguel dava ao bar um cantor por noite sem salário de banda. Dava ao baterista uma renda que não dependia de estar no palco.
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