|
Charles W. Hull nasceu em 1939, em Clifton, no Colorado, e se formou em engenharia física pela Universidade do Colorado. Passou os primeiros anos de carreira em empresas de equipamentos técnicos.
No começo dos anos 1980, era vice-presidente de engenharia da Ultra Violet Products (UVP), fabricante de lâmpadas e aparelhos de luz ultravioleta. Um dos produtos da casa cobria móveis e tampos com uma camada fina de plástico, endurecida por luz.
O verniz chegava líquido, a lâmpada passava por cima e, em segundos, a superfície virava uma casca dura e brilhante. Hull via o processo todos os dias e fez uma pergunta simples: e se a camada fosse repetida centenas de vezes, uma sobre a outra?
Uma película de verniz é quase plana. Mil películas empilhadas, cada uma com um contorno diferente, formariam um volume. O desenho da peça poderia ser fatiado como um pão, e cada fatia viraria uma camada de resina endurecida.
O dono da UVP aceitou a proposta com uma condição. Hull poderia usar um laboratório pequeno, mas só fora do horário comercial, à noite e nos fins de semana.
Foi nesse regime que a máquina nasceu. Hull testava uma resina, media a espessura da camada, ajustava a potência da luz e voltava na noite seguinte para tentar de novo, sem equipe e sem verba própria.
COMO FUNCIONAVA O TANQUE
O aparelho que Hull montou tinha quatro partes, e cada uma cumpria um passo:
|
1. Um tanque raso, cheio de resina líquida sensível à luz ultravioleta.
|
|
2. Uma plataforma perfurada, mergulhada logo abaixo da superfície do líquido.
|
|
3. Uma fonte de luz ultravioleta guiada por espelhos, que traçava o contorno de cada fatia.
|
|
4. Um computador, que guardava o desenho da peça já dividido em fatias finas.
|
|
A estereolitografia trocou o bloco que se corta pelo líquido que se acumula: a peça cresce de baixo para cima, sem sobra de material.
|
Hull batizou o método de estereolitografia, palavra montada do grego: stereo (sólido), litho (pedra) e grafia (escrita). Escrita de sólido em pedra, uma fatia por vez.
O copinho de março de 1983 foi o teste de fogo. A peça saiu do tanque grudenta, coberta de resina mole, e passou por uma lavagem e por um banho final de luz para endurecer por completo.
A superfície era áspera, com degraus visíveis entre as camadas. Mesmo assim, o volume tinha a forma exata do desenho, inclusive a parte oca de dentro, que uma ferramenta comum não alcançaria sem cortar a peça em duas.
|