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O problema que o RK-1 resolvia era simples de enunciar: o avião quebrado no ar levava o piloto junto. Antes do estojo, a única aposta do aviador era manter o aparelho inteiro até o chão.
A prova pública que faltava veio do estrangeiro. Em janeiro de 1913, em Rouen, no norte da França, o estudante russo Vladimir Ossovsky saltou de uma ponte sobre o rio Sena com um RK-1 nas costas, e a seda abriu antes da água.
O salto saiu nos jornais franceses e mostrou que o estojo funcionava com um homem vivo, e não só com bonecos. Ainda assim, o governo russo manteve a recusa até a guerra.
A PRIMEIRA GUERRA MUDA A RESPOSTA
Quando a Primeira Guerra Mundial começou, em 1914, o comando russo reviu a recusa. O exército encomendou estojos RK-1 para as tripulações dos bombardeiros Ilya Muromets, os grandes aviões de quatro motores do engenheiro Igor Sikorsky.
Ninguém sabe com precisão quantos estojos foram entregues nem quantos aviadores saltaram com eles durante a guerra: os registros da aviação russa se perderam em boa parte na revolução de 1917 e na guerra civil que veio em seguida.
Kotelnikov seguiu aperfeiçoando o desenho. Em 1923 apresentou o RK-2, e em 1924 registrou o RK-3, com estojo macio de tecido no lugar da caixa rígida, mais perto das mochilas usadas até hoje por paraquedistas.
Outros países chegaram ao mesmo princípio por conta própria. Nos Estados Unidos, o paraquedas de mochila com abertura manual foi adotado pelo Exército no começo dos anos 1920, e os pilotos que escapavam de aviões em queda com ele formaram o Caterpillar Club, nomeado em homenagem ao bicho-da-seda.
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O RK-1 respondeu a uma pergunta que ninguém tinha feito antes da aviação: como sair de um aparelho que não volta inteiro ao chão.
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A objeção do grão-duque não se confirmou. Os pilotos não passaram a abandonar aviões em bom estado; o estojo virou parte do equipamento obrigatório, e as forças aéreas passaram a treinar o salto como treinavam o voo.
Kotelnikov viveu até 1944 e está sepultado no cemitério de Novodevichy, em Moscou, sob uma lápide com uma cúpula de paraquedas gravada na pedra.
O estojo rígido de 1911, com a seda dobrada, as correias de lona e a mola no fundo, ficou registrado na patente 438.612, e não em papel russo, porque a Rússia disse não primeiro.
“Que objeto você leva sempre consigo pensando no dia em que vai precisar dele?”
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