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O problema que a geladeira de Einstein atacava era o do gás que escapava. A solução da dupla foi tirar a peça que se desgasta. O mercado resolveu a mesma dor por outra porta: trocou o gás venenoso por um que não envenenava.
Em 1928, o químico Thomas Midgley Jr., que trabalhava para a General Motors, dona da marca de geladeiras Frigidaire, sintetizou o diclorodifluorometano, vendido como Freon. Era um gás que não pegava fogo e não intoxicava em contato rápido.
Em 1930, numa reunião da Sociedade Americana de Química, Midgley inalou o gás diante da plateia e soprou uma vela até apagá-la. Com o Freon, o compressor barato e eficiente voltou a ser seguro, e a vantagem da geladeira sem peça móvel encolheu.
O QUE APAGOU O PROJETO
A crise econômica iniciada em 1929 cortou o dinheiro da AEG para pesquisa. Em 1933, com a chegada dos nazistas ao poder, Einstein e Szilárd, ambos de origem judaica, deixaram a Alemanha, e os protótipos ficaram em Berlim.
Szilárd seguiu para Londres, onde concebeu a reação nuclear em cadeia em 1933, e depois para os Estados Unidos. Em 1939, foi ele quem redigiu a carta ao presidente Franklin Roosevelt sobre a bomba atômica que Einstein assinou.
A bomba eletromagnética não morreu com a geladeira. A ideia de empurrar metal líquido com campo magnético voltou nos reatores nucleares resfriados a sódio, a partir dos anos 1950, onde nenhuma vedação pode falhar.
O Freon também cobrou a conta. Em 1974, os químicos Mario Molina e Sherwood Rowland, da Universidade da Califórnia em Irvine, publicaram na revista Nature que esse tipo de gás destruía a camada de ozônio. O Protocolo de Montreal, de 1987, começou a tirá-lo das geladeiras.
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A geladeira de Einstein resolvia o vazamento na mecânica, sem peça que gaste; o Freon resolveu na química, e venceu por ser barato e caber no compressor que já existia.
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Em 2008, uma equipe da Universidade de Oxford liderada pelo engenheiro Malcolm McCulloch montou um protótipo baseado na versão por absorção, pensado para lugares sem rede elétrica e sem gás que agrida o ozônio. O aparelho não chegou ao comércio.
A folha da patente 1.781.541 continua no arquivo público do escritório de patentes americano, com os tubos, o aquecedor e as duas assinaturas. É a única geladeira do mundo assinada por Einstein, e nenhuma família guardou comida nela.
“Que aparelho da sua casa você trocaria por um que funcionasse sem nenhuma peça se mexendo?”
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