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A mina de Conté foi projeto. Ele recebeu um problema com prazo e testou misturas até achar a que riscava preto, aguentava a pressão da mão e saía igual em todas as varetas.
A química daquela década ajudava. Em 1779, o sueco Carl Wilhelm Scheele mostrou que o plumbago era carbono, e não chumbo. Em 1789, o alemão Abraham Gottlob Werner batizou o mineral de grafite, do grego graphein (escrever).
Sabendo do que o mineral era feito, Conté tratou o grafite como ingrediente, igual a um pigmento de pintor. Um retratista mistura terra e óleo para chegar ao tom; ele misturou grafite e argila para chegar ao traço.
A argila tinha função dupla. Colava o pó e, por ser clara e dura, diluía o preto do grafite. Cada parte a mais de argila deixava a mina mais firme e o risco mais cinza.
O forno entrava na conta. Quanto mais quente e mais longo o cozimento, mais dura saía a vareta, e a fábrica controlava temperatura e tempo junto com a proporção da mistura, para repetir o resultado no lote seguinte.
O ATALHO DE VIENA
Conté não estava sozinho na ideia. Em Viena, o austríaco Joseph Hardtmuth, arquiteto e fabricante de louça, também cozia grafite com argila na mesma década, e a fábrica dele, fundada em 1790, deu origem à Koh-i-Noor.
Não se sabe ao certo quem chegou antes, porque os papéis austríacos da época são escassos. A patente de Conté tem data registrada, 1795, e por ela a França ficou com o crédito na maioria dos livros.
Os dois partiram do mesmo raciocínio: se o grafite inteiro faltava ou custava caro, o pó podia ser refeito em vareta, na espessura e na dureza escolhidas pela fábrica.
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A dureza saiu da mina de Borrowdale e entrou na mão do fabricante.
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Conté numerou as misturas. Os lápis dele saíam em graus, do mais macio ao mais duro, e o desenhista escolhia o número conforme o trabalho: macio para sombra, duro para linha fina de planta.
Os artistas notaram a diferença. Um desenhista podia comprar três lápis da mesma marca, cada um com dureza conhecida, e trocar de um para outro no mesmo desenho sem surpresa no traço.
O método sobreviveu à guerra. Depois da paz, os fabricantes ingleses também adotaram a mistura com argila, porque Borrowdale se esgotava ao longo do século 19 e o grafite puro encarecia a cada ano.
Quando o comércio entre os dois países voltou, depois de 1815, os lápis ingleses reencontraram uma França abastecida. A fábrica de Paris já vendia graus que a pedra de Borrowdale, cortada inteira, nunca tinha oferecido.
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